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Da incontornável

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Alguns dias antes de deixar Portugal, passeava eu pelos corredores da Fnac quando reparei numa pequena multidão que estava a assistir ao concerto ao vivo de Adele no Royal Albert Hall. Apesar de já ter esse concerto em casa (e no meu rádio do carro) parei e fiquei a ouvir um pouco. Adele cantava Someone Like You. Foi quando reparei que o rapaz que estava ao meu lado, à beira das lágrimas, deu meia volta e saiu. É esse o verdadeiro privilégio de fazer música com o coração ao pé da boca; cantar sentimentos genuínos,  com uma autenticidade capaz de desarmar o mais cínico.

21 é um albúm do desamor. E é por isso que Adele é o fenómeno global a que assistimos: porque ela é a voz extraordinária de uma dor que todos nós já sentimos alguma vez, o rosto de uma fragilidade delicada, real, humana. E só quem já amou muito, sabe do que estou a falar.



(e como nao podia deixar de ser, deixo-vos com someone like you que apesar de não ser a minha música preferida, é um maravilhoso momento deste concerto)

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The fortune cookie tales

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Há uns dias, enquanto fazia compras num supermercado de produtos asiáticos, o dono da loja ofereceu-me ao pagar um bolinho da sorte. No seu interior dizia: "The world opens for you." Não pude deixar de notar o curioso timming de tal presságio. Não sou supersticiosa, nunca fui. O mundo fez-me crédula. Não sei o que Deus, Krishna, Alá ou tão só o tempo me reservou.
Se o futuro for como um baloiço, de certeza que vai ser divertido.

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No fundo,

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um fim é sempre, também em si, um recomeço.















::Halo Frankfurt am Main::


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Das saudades e outras coisas

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Quando te levei lá para casa eras como um buda peludo. Eras tão pequeno que te equivocaste e pensaste que eu era a tua mãe e seguias-me para todo lado. Tinhas ramelas nos olhos e lombrigas e chuchavas no meu pescoço. Não fazias nada que te mandassem, a menos que fosse eu a dizer. Quando eu estava doente, não arredavas pé da minha almofada, levantavas a cabeça de vez a vez para confirmar que eu ainda estava ali. A única coisa de que gostavas mais do que de mim era de fiambre, mas no hard feelings. De manhã trazias molas, esse presente exótico e colorido que roubavas da marquise e insistias em deixar na minha cama. Gostavas de água e vinhas molhar as patinhas no meu banho.
Fiquei adulta a perceber que envelhecias mais depressa, mas haviam tantos dias naquele calendário. Já lá vão uns meses e agora ignoro as saudades. É sempre assim.

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Alguém os avise, se faz favor

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Não percebo as pessoas que se indignam porque são os mercados a mandar e ainda não perceberam que mandam e continuarão a fazê-lo porque são credores.
E são credores porque lhes devemos e por sua vez devemos porque pedimos indiscriminadamente. Nada de novo até aqui portanto.
Eu só já me espanto com quem ainda se espanta. Os velhos surpreendem-se porque são de tempos em que não existiam bolhas imobiliárias nem dívidas incalculáveis. Os jovens porque assumiram como garantido um mundo onde uma geração vivia inquestionavelmente melhor que a anterior.
Esse mundo acabou e algumas pessoas parecem não ter dado por isso.

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Prescrições duvidosas (ou chupar 2x ao dia dá saúde e alegria)

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Há uns dias começou a doer-me a garganta. Então, fui à farmácia onde vou habitualmente, ao lado do meu trabalho, e pedi umas pastilhas para a garganta.
O rapaz, que já me conhece, dá-me os bons dias e vai buscar uma caixa de pastilhas. Nisto, coloca-as em cima do balcão e diz categoricamente: "Vai chupar 2 vezes ao dia!". Claro que assim que ele disse aquilo, o meu sobrolho deve ter levantado numa expressão de surpresa e fiquei com aquela cara de quem está a ter alguma dificuldade em não desatar a rir, mas não pode perder a compostura. Por sua vez a ele caiu-lhe a ficha assim que falou, e ficou com um ar bastante aflito. Eu que tenho um humor um bocado ácido, estive quase, quase para lhe dizer: "Então e é para começar já?" Mas não podia ser, senão dali para a frente ia ser o deboche total e nunca mais podia lá pôr os pés. Aahh, que pena não ter sido noutra farmácia qualquer...

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The adolescent drama queen

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Andar nos autocarros da Carris pode ser um verdadeiro consultório de psicanálise. Existem sempre adolescentes com cara de quem precisa de um Clearasyl a partilhar os seus dramas da vida moderna:
"Eu ajudei-o a estudar para o Teste de Fisico-Química e ele agora nem me fala" ou "Ele disse que só gosta de miúdas com piercings" ou "O Justin Bibier tem namorada" ou "A minha vida está a desmoronar, foi a minha primeira relação séria." (amiga do lado)"Vocês andaram bué da tempo não foi?" "Bué. 4 meses."
Mas o meu drama adolescente preferido continua a ser este:

















(Caramba, estou a ficar velha.)

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Não espere mais! Ligue agora mesmo!

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Há umas semanas, numa noite de insónia, sentei-me no sofá já a noite ia longa. E eu que ingenuamente pensava que os anúncios do tipo tv shopper pertenciam já a um passado longínquo, dei-me conta que não só ainda existem, como mantêm a sua essência. É fascinante.
Neles, senhoras e senhores com ar de quem acabou de entrar no ginásio em 1980 tentam convencer-nos de 2 coisas: que aquela qualquer coisa que estão a vender vai revolucionar a nossa vida e que conseguem sorrir daquela forma exagerada durante todo o anúncio sem lhe doerem os músculos da cara.
Numa voz off sempre descoordenada ficamos a saber que um grupo de cientistas de QI's estratosféricos fizeram uma descoberta revolucionária em plantas de 5 Continentes diferentes ou que aliaram numa epifania da engenharia 43 máquinas de exercícios diferentes. Entretanto a voz descoordenada começa a desbobinar um rol repetitivo e certeiro de adjectivos como estrondoso, fantástico e revolucionário, uma e outra vez, não fossemos nós não ter ouvido à primeira e não perceber os óbvios benefícios daquilo que nos está a ser apresentado. Nisto, a voz remata num tom entusiasta: irá ver resultados nas primeiras 24 horas. Sim!! Nas primeiras 24 horas! É a apoteose total e a este ponto, já estamos completamentamente convencidos dos poderes espectaculares e resultados notáveis do produto mais eficaz de sempre.
E claro, são sempre a novidade do momento, mesmo que já tenhamos visto aquele anúncio numa década diferente, quando ainda saltávamos à macaca.
Mas as vantagens não ficam por aqui. Tudo é 100% natural, sem químicos e sem feitos secundários e pode ser usado no conforto da nossa casa. E se formos uma das primeiras pessoas a ligar ainda nos oferecem um magnífico trem de cozinha, um aspirador, uma torradeira e mais qualquer porcaria banhada a ouro de 24 quilates. Tudo isto por apenas 999.99€ que podemos pagar em 3 suaves mensalidades.
Como é que podemos resistir? Curam todas as maleitas. Calvice, celulite, estrias, barrigas flácidas, falta de jeito para cozinhar. Resolvem todos os nossos problemas. Os professores Karamba que se cuidem.

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Dilemas automobilísticos

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Quando tinha o meu carro antigo, um velhinho Clio, chamei-lhe carinhosamente Bianca, pois a matrícula começava por BI.
Agora que mudei de carro, ainda não consegui batizá-lo porque percebi que não lhe posso dar nome de mulher. Ao fim de umas semanas com ele, cheguei à conclusão que um Smart é como um homem bastante leviano. Enfia-se em tudo que é buraco.

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Em (i)legítima despesa

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Alberto João Jardim veio ontem a público dizer que, afinal, a dívida da Madeira não eram apenas aqueles 1,5 mil milhões de euros. E embora já o imaginássemos, nada como uma autoridade legítima para o aclarar. Aparentemente, só o povo da Madeira parece não saber o que todos sabem, é dizer, que os prodígios da prosperidade de João Jardim faziam parte de uma contabilidade assaz creativa. Está claro que quem nasce na Madeira, herda aquele gene bom de bola; João Jardim é quase tão bom a chutar para a frente como Ronaldo.
Nada, no entanto, a que o seu arqui-inimigo Socrátes não nos tivesse já habituado, o que convenhamos, tem a sua graça, já que apesar das acusações de João Jardim a Sócrates, eles parecem pertencer à mesma escola. Quando se anunciam cortes, crise, aumentos de impostos e redução de benefícios, João Jardim promete não despedir ninguém e continuar a fazer obra; Claramente o PS não consegue ganhar na Madeira porque o compincha J.J. ainda é mais socialista que eles.
Acredito, a meu desprazer, que João Jardim vai ganhar as eleições na Madeira pelo mesmo motivo que Socrates esteve 6 anos no poder: porque vender ilusões continua a render e o discurso contra a malta do Cont'nent eleva-o ao estatuto de figura mitológica.
É claro que também existem Joãos Jardins - vulgo políticos irresponsáveis - no continente, mas esses pelo menos também foram eleitos por vós. Independentemente disto, no final a factura é só uma e vai ser paga por todos.

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What a week

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Uma semana que começou segunda e acabou, hoje, Domingo ás 04:00 da manhã*.
As noitadas. E com elas o Red Bull, os ponteiros do relógio, o fast-food entregue à porta, muito, muito Guronsan. E o anoitecer, o amanhecer, o táxi que nos leva a casa, o banho frio para acordar poucas horas depois. O Cristo Rei visto da minha janela, as pessoas fechadas em si, no metro. As canetas no cabelo, as lentes coladas aos olhos. O meu vestido para um batizado hoje, que andou a passear pela cidade errada e por pouco não me chegava às mãos a horas. O livrete do meu Smart, que chegou finalmente. A Golden Retriever da velhota lá da rua que nos vem dar os bons dias e nos faz sorrir. Um dedo entalado. As horas. O cd perdido que finalmente encontramos. A porteira que nos pergunta se andamos a dormir na agência. Os saltos de 10cm que nos fazem doer os pés.
Que semana esta.


*Um compromisso de trabalho fez com que trabalhasse practicamente 2 semanas em apenas uma. Prometo voltar à regularidade esta semana!

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9/11 revisited

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Foi o dia em que o ocidente aprendeu o medo. Perto das duas da tarde em Portugal, cadeias internacionais de televisão mostravam as torres gémeas a arder, no que parecia ser um acidente aéreo. Tinha 17 anos e vi em directo um segundo avião a embater na outra torre. Ainda hoje me comovo quando me lembro daquele momento.

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I do!

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Ele leva-me às compras e deixa-me ver tudo o que quero. Ele diz-me onde estou e o que posso fazer perto de mim. Ele diz-me como o tempo vai estar, para eu não me molhar. Ele traz-me o jornal todos os dias, e algumas revistas. Ele diz-me que números saíram no Euromilhões. Ele leva-me ao banco. Ele diz-me que filmes vale a pena ver e onde estão. Ele entretêm-me quando estou aborrecida. Ele ajuda-me a cozinhar. Ele vê filmes comigo na cama. Ele acorda-me de manhã com música. E não se irrita a ver a bola nem pede para lhe trazer uma cerveja. Se se ajoelhasse com um anel, casava-me com ele.




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Dom Saraiva e os seus 2 Neurónios

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Este senhor (perdão, senhor) já nos tinha habituado a alguns artigos de opinião onde vai destilando a sua homofobia, mas este artigo publicado no Sol há um par de dias é alucinante.
Naturalmente que sei que opiniões são opiniões e cada um tem direito à sua, mas é justamente por isso que posso, com a mesma propriedade, escrever este post sobre o seu artigo, senhor Saraiva. É obvio que é uma enorme maçada confundir jornalistas desta forma. Repita lá senhor Saraiva, 2 maridos?? Casados um com o outro?! Que confuso. A comunidade homossexual é tão inconveniente, que grandes malandrecos. Já não se pode fazer jornalismo sério. Acho que devíamos sair todos à rua com forquilhas e archotes e reviver a Inquisição, só para animar a coisa.
E eu que pensava que este tipo de artigos eram coisa de uma sociedade caduca e ignorante em que já não vivíamos. Apanhou-me bem, senhor Saraiva. E por isso podia perder aqui mais algumas linhas a falar da sua pobreza de espírito, mas não vale a pena porque o seu artigo fala por si mesmo. E já que aproveita obras como a de Jorge Amado para analogias eruditas no seu texto, tenho a certeza que apreciará também o meu título. Mesmo tendo a destreza mental de um pionés.

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Justificar o injustificável

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Há 3 dias atrás, um infeliz excesso policial levou à morte de um inocente. O protesto legítimo da família e moradores do bairro Tottenham, escalou numa onda de violência gratuita e criminalidade díficeis de acreditar quando falamos num país como o Reino Unido. E como sociedades inclusivas e socialistas que somos, tentamos justificar o injustificável: apontamos o dedo à pobreza, a neoliberalismos, à falta de emprego e perspectivas destes jovens, a tudo e mais um par de botas e parecemos esquecermos nos que camadas de jovens incálculavelmente mais pobres chegaram a Inglaterra há 40 anos, trabalharam de sol a sol em lojas de conveniência, padarias e bazares, para ter algo que perspectivar. Décadas atrás, perante uma sociedade ainda racista e sem as mesmas regalias sociais, a solução para a pobreza foi o trabalho, não o vandalismo que reduziu agora a pó e vidros estilhaçados o trabalho de uma vida inteira.
Num canal noticioso Inglês revela-se que estes jovens representam uma geração que nunca trabalhou e vive de subsídios. Ora, estão portanto a destruir o estado social que os sustenta.
E se podemos, porque acredito que sim, reflectir acerca do que esta por detrás, não podemos no entanto, justificá-lo. Isto, isto e isto, nada tem a ver com protestos políticos, ou revolta pela morte ocorrida. Pilhar lojas de bens apetecíveis , assaltar civis e destruir propriedade privada chama-se apenas oportunismo chico-esperto.
So much for gentlemans.

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Drug is a Losing Game

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Gostava de ouvir Amy cantar em 2004, quando ainda era dona de um ar saudável e um talento prodigioso. Mas a nossa Amy personificou a tragicomédia da estrela consumida pelas drogas e pelo alcóol e afogou num copo de whiskey aquele destino auspicioso de diva idolatrada.
So long, Amy.

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País de Pinypon

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Somos um país pequeno.
E não falo das delimitações geográficas destas fronteiras que Afonso Henriques nos deixou como herança, mas da pobreza mental que, está visto, nos corre nas veias. Vamos-nos desculpando com o liberalismo, com o capitalismo, com globalização e a Moody's mas a verdade é que parecemos condenados ao 'nacional porreirismo', esse fado lusitano que nos condena como povo.
Somos os super-europeus da preguiça; achamos que o estado social está lá para cuidar de nós, mesmo que não paguemos os nossos impostos. Sabemos vagamente que temos deveres cívicos e cumpriríamo-los, não estivéssemos nós, invariavelmente, demasiado cansados.
Em lusas terras não existem incompetentes, existem coitadinhos. Quando alguém pretende trabalhar seriamente é porque "quer ser melhor que os outros"(ou não tivesse o 'porreirismo' também um lado perverso). O desejo de superação individual é imediatamente rotulado de defeito social e por isso também raramente se crítica e mais raramente ainda se faz melhor.
Somos um país de brandos costumes, dizem. Geralmente, demasiado brandos. Temos um país na banca rota e falamos do magalhães porque até simpatizamos com aquele senhor que diz que está tudo bem e nos oferece o seu sorriso amarelo nº43. Vemos presidentes de Câmara serem condenados em Supremo Tribunal por 20 e tantos crimes de abuso de poder e desvios de fundos públicos e mesmo assim votamos neles, porque afinal, todos gostamos muito de donas Fatinhas.
É mais fácil extraditar um criminoso como Pinochet do que Vale e Azevedo. Isto porque por cá, este senhor é apenas um alegado criminoso, que terá cometido alegados crimes, que terão por sua vez outros alegados arguidos. Somos um país relativo.
Bem sei que fomos o País dos Descobrimentos, que o Português é a 4ª língua mais falada do mundo e que levámos o chá para a Inglaterra, mas já me cansei de ouvir as epopeias do passado. Falamos delas com um paternalismo que nos infantiliza. E por isso vão ter de me perdoar a tremenda impertinência, mas não percebo como chegámos a esta tão completa falência. Tanta gente graúda a viver neste país de Pinypon.


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Para engraçadinho, engraçadinho e meio

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Ontem fui à Fnac, dirigi-me à bilheteira e pedi um bilhete para Tony Carreira.* De seguida pedi um bilhete para Melody Gardot. Ao entregar-me os bilhetes, o rapaz da bilheteira diz-me com um indisfarçável ar de gozo: 'Estou a ver que tem uns gostos muito diversificados...', ao que eu sorri e respondi com o ar mais credível que pude: 'Sabe, é que eu sou bipolar.'


* os meus agradecimentos ao amigo Tiago por me fazer passar a vergonha da minha vida.

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Undo me

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Recordo-me com intermitências do dia em que senti medo, aquele medo tímido, incerto, como quando confessamos ao espelho o medo de que o tempo nos roube um dia toda a beleza.
Talvez tenha sido esse o dia em que não soube dizer se ainda era eu, quem te perdia. E a verdade é que tanto faz. Contamos os dias como as nuvens, à sorte de uma imaginação que as faz ser.
E sempre, sempre, apenas por hoje. Amanhã a lente angulosa dos dias voltará a girar e a provar-nos que não sabemos senão do que está longe. A memória. Deus. Um qualquer fim.
Um sem fim de convicções que terão lógica própria, ou nenhuma de todo, e que são como fios invisíveis que nos amarram a uma loucura de intensidade variável.
Se escrevo é, tantas e tantas vezes, para me livrar de mim. As palavras são como o álcool, têm a vantagem de nos desfazer de nós.

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Ser Designer

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Para quem não sabe, apesar de ter um blog que poderia sugerir variadíssimas outras coisas, sou designer de profissão. Este post vem a propósito da muito frequentemente manifestada opinião dos meus amigos, que me dizem, na sua melhor intenção, que deveria mudar de emprego. Na verdade, é comum ouvir um designer dizer, depois de trabalhar 2 ou 3 anitos, algo do género: 'se soubesse o que sei hoje, tinha ido tirar Gestão.' Suponho que nunca nos tenham contado a verdade para não irmos encher as vagas dessa malta. Mas ninguém disse e nós ingénuos, lá andamos 5 anos enganados para ostentarmos orgulhosamente uma profissão que até há poucos meses atrás tinha como categoria profissional nas finanças: 'artistas - outros.' O que é uma grande desconsideração, porque, vendo bem, os designers são uma raça apurada de humanos.
Conseguimos trabalhar 36 horas seguidas sem matar ninguém.
Conseguimos ouvir 353.467 vezes ao longo da nossa vida que a nossa profissão é fazer bonecos, sem perder a paciência.
Conseguimos ouvir um cliente dizer: "gosto de tudo, menos desse 9. Não sei.. parece-me um 6 invertido" sem lhe dizermos que existe uma probabilidade matemática bastante alta de que ele seja um perfeito imbecil.
Conseguimos fazer campanhas em duas semanas que pagam o nosso ordenado todo o ano, saber disso e ultrapassar esse facto apenas com uma alka-seltzer.
Conseguimos ouvir alguém dizer que adora Comic Sans e mesmo assim manter uma cara séria.
Somos as únicas pessoas que chamamos Cyan ao azul e Key ao preto. Também só nós sabemos o que é uma tabela de pantones e qual é a diferença entre cor directa e quadricromia.
Somos as únicas pessoas que fazemos apresentações em Flash e action script e não sabemos fazer 1 slide em Powerpoint.
Somos as únicas pessoas que fazemos os nossos amigos transbordar de felicidade quando montamos as caras deles nos posters dos seus filmes favoritos.
Compramos panos de cozinha a condizer com os azulejos, meias a condizer com as calças e gravatas a condizer com o vestido da esposa.
Gozamos com o nosso namorado que tem um sofá amarelo e umas cadeiras azuis, e com o cãozinho de loiça da porteira.

Organizamos a nossa roupa interior por cores e achamos que isso é normal. Ouvimos o despertador tocar quando vamos a caminho de casa num táxi e desejamos que isso não fosse normal.
Somos uma raça tão perfeita, que é uma pena que a nossa esperança média de vida deva estar algures nos 30 anos, porque senão, tenho a certeza, seríamos donos do mundo.

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