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Justificar o injustificável

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Há 3 dias atrás, um infeliz excesso policial levou à morte de um inocente. O protesto legítimo da família e moradores do bairro Tottenham, escalou numa onda de violência gratuita e criminalidade díficeis de acreditar quando falamos num país como o Reino Unido. E como sociedades inclusivas e socialistas que somos, tentamos justificar o injustificável: apontamos o dedo à pobreza, a neoliberalismos, à falta de emprego e perspectivas destes jovens, a tudo e mais um par de botas e parecemos esquecermos nos que camadas de jovens incálculavelmente mais pobres chegaram a Inglaterra há 40 anos, trabalharam de sol a sol em lojas de conveniência, padarias e bazares, para ter algo que perspectivar. Décadas atrás, perante uma sociedade ainda racista e sem as mesmas regalias sociais, a solução para a pobreza foi o trabalho, não o vandalismo que reduziu agora a pó e vidros estilhaçados o trabalho de uma vida inteira.
Num canal noticioso Inglês revela-se que estes jovens representam uma geração que nunca trabalhou e vive de subsídios. Ora, estão portanto a destruir o estado social que os sustenta.
E se podemos, porque acredito que sim, reflectir acerca do que esta por detrás, não podemos no entanto, justificá-lo. Isto, isto e isto, nada tem a ver com protestos políticos, ou revolta pela morte ocorrida. Pilhar lojas de bens apetecíveis , assaltar civis e destruir propriedade privada chama-se apenas oportunismo chico-esperto.
So much for gentlemans.

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País de Pinypon

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Somos um país pequeno.
E não falo das delimitações geográficas destas fronteiras que Afonso Henriques nos deixou como herança, mas da pobreza mental que, está visto, nos corre nas veias. Vamos-nos desculpando com o liberalismo, com o capitalismo, com globalização e a Moody's mas a verdade é que parecemos condenados ao 'nacional porreirismo', esse fado lusitano que nos condena como povo.
Somos os super-europeus da preguiça; achamos que o estado social está lá para cuidar de nós, mesmo que não paguemos os nossos impostos. Sabemos vagamente que temos deveres cívicos e cumpriríamo-los, não estivéssemos nós, invariavelmente, demasiado cansados.
Em lusas terras não existem incompetentes, existem coitadinhos. Quando alguém pretende trabalhar seriamente é porque "quer ser melhor que os outros"(ou não tivesse o 'porreirismo' também um lado perverso). O desejo de superação individual é imediatamente rotulado de defeito social e por isso também raramente se crítica e mais raramente ainda se faz melhor.
Somos um país de brandos costumes, dizem. Geralmente, demasiado brandos. Temos um país na banca rota e falamos do magalhães porque até simpatizamos com aquele senhor que diz que está tudo bem e nos oferece o seu sorriso amarelo nº43. Vemos presidentes de Câmara serem condenados em Supremo Tribunal por 20 e tantos crimes de abuso de poder e desvios de fundos públicos e mesmo assim votamos neles, porque afinal, todos gostamos muito de donas Fatinhas.
É mais fácil extraditar um criminoso como Pinochet do que Vale e Azevedo. Isto porque por cá, este senhor é apenas um alegado criminoso, que terá cometido alegados crimes, que terão por sua vez outros alegados arguidos. Somos um país relativo.
Bem sei que fomos o País dos Descobrimentos, que o Português é a 4ª língua mais falada do mundo e que levámos o chá para a Inglaterra, mas já me cansei de ouvir as epopeias do passado. Falamos delas com um paternalismo que nos infantiliza. E por isso vão ter de me perdoar a tremenda impertinência, mas não percebo como chegámos a esta tão completa falência. Tanta gente graúda a viver neste país de Pinypon.


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Pensei que os meus pulmões fossem rebentar...

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...quando tocou Enjoy the Silence num pavilhão atlântico esgotadíssimo. Um dos grandes momentos da noite, com uma atmosfera de arrepiar.


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Está de parabéns...

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... Astérix, o gaulês mais famoso do planeta, que completa hoje meio século de vida.
Daqui a uma semana vamos vê-lo aí a namoriscar uma adolescente e a comprar um Porsche, numa crise de meia idade.


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Mamã! Mãma! Saiu-me um nobel no chocapic

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Eu até gosto do Obama.
Eu e mais os 200 milhoes de pessoas que o elegeram, directa ou indirectamente, por ser, mais que qualquer outra coisa, um anti-bush socialista preocupado com o mundo.

Mas vamos lá falar a sério. Nobel da Paz?

Estou baralhada.
Ainda não fechou Guantanamo.Autorizou o uso de drones contra a Al Qaeda no Paquistão (necessário.. talvez, pacífico..não tanto). Manteve a política de Robert Gates para o Iraque. Reforçou a presença no Afeganistão. E quanto ao aquecimento global, também ainda não conseguiu fazer nada.

O comité norueguês não estava tão espirituoso desde que nomeou Yasser Arafat, em 94.
Já sem dizer que Obama assumiu funções a 20 de Janeiro, e a 1 de Fevereiro fecharam os prazos de candidatura a esta distinção, o que lhe deixou 12 dias, de uma, seguramente, intensíssima agenda, toda ela orientada, claro está, às causas que lhe poderiam (ups, poderam), assegurar o prémio.

Isto dá-me uma excelente ideia. Depois de um mês de emprego, vou ali ao meu chefe pedir o prémio de melhor empregada do ano.



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Go Venus (when natural tallent meets excellence)

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6-1 / 6-0 em apenas 51 minutos, contra a (muito pouco) nº 1 do mundo Dinara Safina. Uma lição de ténis, a acrescentar ao percurso irreprensível em Wimblendon este ano (e aos 5 títulos neste grand slam).
Amanha jogará a final contra a mana Serena. Imagino que já saibam por quem estou a torcer.


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São os Xutos? É a doca de Lisboa? Não, é o Manuel Alegre..!

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Gostava de partilhar com voçês, o poema hoje publicado por Manuel Alegre no seu site: "Fados dos Contentores."

(...)Por mais que busques defronte/Nem ilhas praias ou flores/Não há mar nem horizonte/Só contentores contentores./Lisboa não tem paisagem/Já não há navegadores/Nem sol nem sul nem viagem/Só contentores contentores./Entre o passado e o futuro/Em Lisboa de mil cores/O sonho bate num muro/De contentores contentores./Por isso vamos cantar/O fado das nossas dores/E com ele derrubar/O muro dos contentores./


Quando vi este senhor pela primeira vez na política pensei que era melhor dedicar-se à poesia, mas agora talvez lhe diga para se dedicar à política outra vez. Não sei, estou baralhada..

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All eyes on Obama

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explica-me como se eu fosse uma criança de 5 anos...

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Um bocadinho Cristãos demais para Cristo

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Já achava um piadão a este homem..e agora ainda acho mais. Pat Condell, ácido e inteligente, acerca da relação entre os EUA e Deus.

"Neste momento é mais fácil fazer passar um camelo pelo buraco de uma agulha do que um ateu ser eleito presidente dos EUA.

Se Cristo fosse presidente como o mundo seria diferente. Mas é claro que isto é um sonho irrealista, porque Cristo não tem a mínima hipótese de ser eleito presidente! Quantos cristãos de direita vão votar num judeu liberal originário do Médio-Oriente que parece um goddam hyppie. A Fox crucificava-o, se ainda não tivesse sido preso como terrorista…

Acho que neste momento os EUA são um pouco cristãos demais para Cristo."






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A nossa Portugalidade

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Há já algum tempo que o panorama político em Portugal me começou a fazer comichão, o que em parte se deve aos nossos media, que transformaram o debate político em Portugal numa dose de futebolada parola em volta dos líderes. Sócrates é apanhado a fumar num avião, a notícia abre telejornais (abre telejornais!), o nosso 1º pede desculpas, anuncia que vai deixar de fumar e o país aplaude. O curioso é que Sócrates se justificou, na data, com o desconhecimento de uma proibição que, note-se, foi aprovada no parlamento pelo seu governo.
Não muito tempo depois assisto a uma peça jornalística que noticiava uma melhoria nos resultados dos exames nacionais de Matemática em relação a anos anteriores e uma Ministra da Educação que nos parecia fazer crer que isso se devia aos novos métodos de ensino em Portugal e não às políticas de facilitismo a que temos assistido. Maria de Lurdes Rodrigues afirmou achar que os testes de matemática não foram fáceis. E disse isto com cara séria. Não se estava a rir.
Entretanto, a oposição, na falta de propostas, parece ter assumido a posição de só prometer que não faz promessas, o que teria tornado tudo isto algo monótono não fosse Ferreira Leite presentear-nos com declarações que nem a ala do PP teria coragem de fazer, ao dar a conhecer ao país as suas convicções acerca do casamento, ou antes, acerca da ausência de direito dos homosexuais ao casamento (e eu que pensava que esta moralidade procriadora era coisa de Paulo Portas, senhor que aliás, faz disparar o meu sensor de populismo desastroso). Mais ainda que a falta de realismo e sobriedade de MFL, diverte-me o ar indignado dos socialistas perante tais declarações, quando estando no governo e dispondo de maioria absoluta teriam o poder para alterar a legislação. Sócrates tem motivos para estar satisfeito, já que Ferreira Leite já fez mais pela sua reeleição que o PS em 2 anos de governo.
Não me interpretem mal, não percebo nada de política. Mas tenho a certeza que quem percebe, neste momento, também está baralhado.

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Amy no Madame Tussauds

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O Madame Tussauds em Londres anúnciou há uns dias que conta já com a reprodução em cera da cantora Amy Whinehouse. E eu pensei... boa! Esta pelo menos aguenta-se de pé!



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Le 14 juillet

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Há cerca de 200 anos, vivia-se em França a atmosfera da Revolução Francesa, que para quem não se lembra comemora a entrada na Idade Contemporânea e cujo mote é "Liberté, Egalité, Fraternité". Ironicamente, não deixa de me surpreender o facto do dia mais importante para os franceses, o 14 juillet, ser aquele em que uma turba parisience enraivecida esfaqueou o governador da Bastilha, o Marquês de Launay, tendo-o depois decepado à machadada e espetado a cabeça numa lança, para passear por Paris, numa electrizante "comemoração". Este extraordinário acontecimento (perdoem-me o sarcasmo) culminou depois numa onda de violência que se estendeu por todo o país. O contexto político, revolucionário, histórico, explica tudo. Claro que sim. Uma lição de civilização. Num só dia, ganhou-se e perdeu-se a liberdade...

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